MOCASSIM: A HISTÓRIA DO SAPATO QUERIDINHO DO MOMENTO

Pode anotar: se você nunca se pegou paquerando um par de mocassins, é muito provável que isso aconteça ao longo do próximo ano. Esse é o calçado mais quente da temporada de inverno do hemisfério norte e já tem gente por aqui aproveitando o frio prologado para aderir à tendência antes do verão chegar.

Apesar dos designs variados que esse sapato sem cadarços apresenta, os queridinhos do momento são os pretos, de salto grosso, geralmente utilizados com meia, em uma clara referência ao visual preppy dos anos 1950. Como tem sido comum no último ano, o TikTok é o responsável pela ascensão meteórica do interesse nesse calçado. Até o momento, são mais de 40 milhões de visualizações nos vídeos com a tag #loafers, termo pelo qual esse modelo com a sola separada do couro é mais conhecido lá fora – aqui no Brasil fica tudo dentro da aba mocassim mesmo.

O mocassim é bem antigo e, na sua forma original, era de couro da parte de cima até a sola. Tudo começou com as tribos nativas estadunidenses no século 17, que criaram um calçado com essa estrutura, todo fechado, sem amarrações. A origem do termo é a palavra makasin, que é como se dizia sapato na língua Powhatan, falada por povos que viviam na região da Virgínia.

Ao longo dos anos, novas características foram adicionadas a ele, como os tassels, as franjas, o amarradinho, as ferragens. É inclusive daí que surgem os loafers, como uma variação do mocassim. Um dos destaques dessa evolução foi o sapateiro norueguês Nils Gregoriusson Tveranger, que criou o modelo Aureland, em 1930, inspirado nos calçados dos indígenas. Não demorou para que seu design conquistasse olhares estrangeiros e se difundisse pelos EUA e pelo resto da Europa.

O termo loafers começou a ser usado para designar os sapatos desenvolvidos pela família Spaulding, no estado estadunidense de New Hampshire, nos anos 1930, e logo se popularizou pelo país para designar esse tipo de calçado. Em 1936, a marca G.H. Bas, ativa até hoje, criou o modelo Weejuns, que tem uma tira de couro vazada cruzando por cima do peito do pé. Ele é mais conhecido por Penny Loafer, uma vez que, por volta dos anos 1950, estudantes de Ivy League criaram a cultura de colocar uma moeda no recorte da faixa como fashion statement.

Inclusive, foram esses estudantes estadunidenses que começaram a usar a clássica combinação de mocassim com meia branca na canela. Tênis não eram autorizados dentro das salas de aulas naquela época, então eles encontraram essa alternativa mais informal e confortável, servindo posteriormente de influência para diversas subculturas jovens.

Antes disso, no período entre guerras, eles já eram utilizados por escritores consagrados, como Ernest Hemingway e Henry Miller.

Durante os anos 1950 e 1960, era comum ver estrelas de Hollywood com mocassins e loafers nos pés. James Dean, Steve McQueen, Elvis Presley, Audrey Hepburn e Grace Kelly foram alguns dos ídolos que eternizaram esses sapatos nas telonas e ajudaram a ampliar o desejo em torno deles.

O modelo ficou conhecido como Horse Biti e, inicialmente, era sempre preto. Foi assim que esse tipo de calçado conquistou status de luxo e formalidade, começando a ser usado, inclusive, por personalidades como o presidente estadunidense John F. Kennedy, nos anos 1960.

 

 

Foto: Paramount Pictures / Getty Images  (Audrey Hepburn de mocassins nos bastidores do filme Cinderella em Paris em 1956).

Fonte:  https://elle.com.br/moda/mocassim-loafers-historia